Oioi, hoje quero trazer um post que eu queria ter lido anos atrás, quando comecei na jornada de cultuar Rá. Naquela época não muito distante, em 2018, ele apareceu num momento muito especial e eu estava bem no comecinho da jornada da bruxaria, então não sabia como pesquisar as coisas (até hoje tenho dificuldades), não sabia por onde começar a cultuar Rá e nem sabia como pesquisar para encontrar informações sobre ele.
Tudo o que sei hoje em dia, em sua maioria, é de vivências com a própria divindade, ele me ensinando com bastante paciência, e mais recentemente em blogs e sites de kemetismo.
Quero reunir aqui algumas informações interessantes para um primeiro contato. Pode ser que seja atualizado com o tempo, ao fim da página, colocarei as referências para caso queiram uma informação mais completa.
Obs.: ao longo do texto escreverei a história, alguns dos mitos, as atividades e outras coisas mais relacionadas à divindade no tempo presente, por questão de crença mesmo. Acredito que, por exemplo, a forma do deus muda ao longo do dia, e no texto original está escrito ''mudava'', ''ele era representado'' (mudarei para é representado). Apenas uma explicação básica para não haver erros e confusões futuras.
Vamos lá??
Quem é o deus Rá?
No livro ''Heka the practices of ancient egyptian ritual & magic'' do autor David Rankine, é abordado várias divindades da cosmovisão egípcia. Sobre Rá, ele aponta que o significado do nome desse deus é incerto, mas pode estar relacionado ao Sol e ao Criador. Pode ser pronunciado tanto como Rá ou Ré, e a sua jornada pelo céu era um dos fundamentos da vida cotidiana egípcia. Havia, com certa frequência, a associação entre Aton e Ra por ambos serem deuses da criação, tendo-se assim: Amon-Ra.
Vale lembrar que Rá e Amon Rá não são a mesma divindade, é como uma terceira divindade.
Rá não é apenas uma representação do poder do sol, acredita-se que ele é o próprio sol. Sua adoração remonta à segunda dinastia (2890 - 2686 aC). Ele era o rei dos deuses e desde o reinado de Djedefre na quarta dinastia (a.C 2528 - 2520 aC), ele foi considerado o pai divino de cada faraó sucessivo.
Sua adoração se solidificou no Império Antigo (aC 2686-2181 aC) quando ele se tornou a divindade do estado do Egito. O principal centro de culto ficava localizado na cidade Heliópolis e continuou como deus principal ao longo da história do Antigo Egito, os reis alegavam serem seus filhos a fim de vincular-se a ele.
A forma desse deus muda ao longo do dia: de manhã ele é representado com a cabeça de um escaravelho, durante o dia como um falcão ou disco solar, e pela noite com a cabeça de um carneiro.
Mas por que tantas associações? Acredita-se que os egípcios realizavam essas ''fusões'' por razões teológicas, políticas e culturais. Os egípcios frequentemente fundiam deuses para refletir mudanças sociais, fortalecer cultos locais ou consolidar poder religioso em torno de uma divindade mais abrangente. Os faraós utilizavam o sincretismo para legitimar seu poder, associando-se a deuses supremos. Ao fundir divindades locais com deuses nacionais, criava-se coesão entre diferentes regiões do Egito. A cosmovisão egípcia permitia múltiplas formas e aspectos de um mesmo deus, facilitando fusões.
A fusão é muito comum em religiões politeístas, onde duas ou mais divindades são sincretizadas diversos motivos, também baseadas em alguma afinidade ou posição são consideradas idênticas, de modo que a cada uma delas recebam características da outra divindade sincretizada.
Os epítetos podiam indicar que tal divindade era maior que qualquer outro deus, alcançando importância suprema na religião egípcia. Um exemplo é Heru (Hórus), o deus sol Rá e a deusa-mãe Aset (Ísis). Durante o Novo Império (c 1550- c1070 aC), Amon ocupou essa posição. A teologia desse período descreve a presença do governo de Amon sobre todas as coisas.
Mitos da criação
Em alguns dos mitos de criação, Ele surge no Oceano Primordial (Nun), dentro das pétalas de uma flor de lótus. O florescimento da flor de lótus lançou Rá, e segundo o mito, ele retornaria para a flor a cada dia. O lótus se tornou um símbolo do Renascimento e da renovação perpétua da vida.
Outro mito que se tem conhecimento, Rá nasceu do Oceano Primordial e com um leve sopro de vida surgiu dos choques entre a Escuridão e o Oceano, a forma física do sopro de vida seria Atum, que concentrou toda sua energia para trazer uma ilha para fora do Oceano. Rá respondeu ao chamado de vida, que nasceu de si mesmo, com habilidade de iluminar e aquecer o Oceano e a gélida Escuridão. Na ilha de Atum, Rá criou o primeiro casal de deuses, Shu (o ar) e sua esposa Tefnut (a umidade), que por sua vez deu à luz Geb (terra) e Nut (céu). Os dois últimos tiveram cinco filhos que são: Osíris, Ísis, Seth e Néftis.
Assim, Rá se tornou o primeiro rei dos deuses, um ancestral divino dos faraós.
A ira de Sekhmet:
Rá reinou durante a idade de ouro e tudo em sua visão era perfeito, e essa visão trouxe lágrimas aos seus olhos. As lágrimas caíram sobre a terra e se transformaram em seres humanos. Com o tempo, Rá ficou irritado com as aitudes dos humanos então convocou seu olho divino, a bela deusa HetHeru (Hathor), transformando-a em Sekhmet, uma leoa selvagem. Rá enviou Sekhmet à Terra para matar os seres humanos, mas ela perdeu o controle por conta da raiva e causou um grande derramamento de sangue, e por conta disso ele decidiu salvar os humanos que restaram. Ele enganou Sekhmet, deixando-a bêbada de cerveja ficando incapacitada de continuar a matança. Porém, a morte foi introduzida no mundo a partir de sua ira.
Nome secreto de Rá:
O último mito que trarei aqui (pois são vários e é impossível citar tudo), Aset queria descobrir o nome secreto de Rá, no antigo egito os nomes continham grande poder, ainda mais de um deus. Ela planejava usar para ter poder igual a Rá nos céus e na terra e ansiava pelo nome secreto do deus.
Todos os dias Rá caminhava pelos céus em sua esplendorosa barca solar de ouro, seguido por uma numerosa companhia de divindades e seres divinos menores, e se estabelecia nos dois tronos dos horizontes. Nessa época, ele já estava muito velho com comportamentos dignos de sua idade, tanto que ele costumava babar-se.
Uma das vezes em que estava no trono, deixou cair saliva no chão e Isis que vinha atrás de si, pegou um pouco de saliva misturada com a terra. Com essas amostras, fez uma espécie de argila e com ela moldou uma serpente que deu origem à primeira cobra. Ainda sem vida, colocou a serpente num local por onde Rá passaria na sua jornada diária no Oriente e no Ocidente. Quando ele passou, a serpente inerte tomou vida e o mordeu, atormentando-o por uma terrível dor. Rá convocou os outros deuses para ajudá-lo, Aset prometeu aliviar seu sofrimento somente se ele revelasse seu poderoso nome secreto. Entre várias indecisões e uma dor mortal, Rá concordou finalmente e Aset utilizou o seu nome no feitiço para remover o veneno e curar o deus solar.
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Rá é o símbolo da vida, do crescimento, do calor, da prosperidade, era visto também pelos antigos como doador da vida e nutridor da terra. Era adorado em Festivais e Templos por todo o Egito.
Ele é considerado o rei e pai de todos os deuses e a principal divindade do antigo Egito. É descrito como um homem com cabeça de falcão (nas minhas visões ele aparece como um senhor), coroado com um disco solar, uma energia majestosa de pássaro e poder vivificante do Sol. Além da fusão com Amon (Amon-Rá), também é mostrado como Ra-Heruakhty , Rá e Horus (deus dos céus), também visto como Ra-Khepri, Rá-Sobek. Também se juntou a outras divindades que não estavam associadas ao Sol, incluindo Khnum, Min e Montu além dos citados anteriormente.
Rá é um deus complexo e multifacetado por ser onipresente através de seus raios solares e todo poderoso como o criador do mundo. Outros deuses podiam manter seus nomes, formas e cultos, mas também poderiam ser concebidos como existindo através de, ou como parte de Rá.
Papéis e funções
Rá desempenhava cinco papéis principais: como uma divindade do céu, da terra, do submundo, como criador e como protetor do faraó. O "Olho de Ré" era um título dado a diversas deusas que atuavam como vingadoras de afrontas contra Ré.
Nos céus, ele navega pelo céu em sua barca simbolizando a jornada do Sol, trazendo luz e calor para todas as criaturas vivas da terra, onde ele luta todos os dias com a.p.e.p, no Submundo, a serpente das trevas e da destruição. Lá, Set tem um papel importante de ceifar a.p.e.p, auxiliando Rá em sua jornada pelos céus. Na Terra, antes de ascender aos céus, ele governou diretamente na terra e criou leis à humanidade. No Duat (submundo), ele viaja à noite, fundindo com Wesir (Osíris), o deus dos mortos.
Era chamado de "Re", que significa "sol" e "dia". Ele aparece com inúmeros nomes e epítetos reais e pode assumir muitas formas. Ao amanhecer, ele é Khepri, representado como um besouro de esterco. Ao pôr do Sol, ele é Atum, o criador primordial, muitas vezes mostrado como um humano vestindo trajes reais.
Na Terra, ele é visto como Rei e Pai do Rei, destacando sua conexão com os faraós e a ordem divina da realeza. Acredita-se que Rá foi o primeiro governante da Terra, como citado anteriormente. Os faraós da Quinta Dinastia incorporavam em seus títulos ''Filho de Rá'', enfatizando seu direito divino de governar. Essa prática continuou ao longo da história do Egito, solidificando o papel central de Rá no estado e na religião.
No submundo, além de lutar contra a serpente maldita, ele tem poder sobre os mortos pelo nome Rá-Osíris. Essas polaridades de vida e morte, luz e escuridão reflete a natureza complexa de Rá. Nesse aspecto, ele é o deus da ausência de luz, morte e transição.
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Agora vamos para a parte mais esperada:
Como cultuar Rá e suas associações magicas
Olha, nessa parte de como prestar culto estou trazendo a >minha< experiência e reforço que busquem sua própria forma de cultuar baseado no que estou trazendo aqui.
Rá é um deus tranquilo, não é muito exigente, mas ama quem tem disciplina e se dedica para cultuá-lo. Até hoje ele não exigiu um culto totalmente diário, mas é indicado oferecer pelo menos um copo de água fresca (mineral pelo amor de Re) todos os dias. Ele gosta que dediquem uma refeição a ele, isso conta como uma oferenda também. Gosto de oferecer para que desfrute comigo aquela refeição e sempre fica mais gostoso.
Pequenas atividades do dia a dia como saudar o sol, ser grato (mas sem alienação), viver com clareza e luz interior, andar com Ma'at (ordem e justiça) também são práticas bem-vindas. Reconhecer as suas falhas e sombras é muito importante, apesar de ser um deus solar e de boas coisas, ele também viaja pelo Submundo. Acredito que ''O mesmo sol que brilha é o mesmo sol que queima'', então temos que estar em perfeito equilíbrio com a nossa luz e sombras.
Indico começar a pesquisar os seus mitos como os que trouxe aqui, que leia também sobre os mitos das deusas associadas e ele, como Sekhmet, Hathor e Aset, além dos Olhos de Rá.
Para o culto formal, escolha um local livre de risco de fogo, não é necessário um local com iluminação direta, mas seria interessante. Tenha o básico no início como a representação dos quatro elementos e um copo com água.
Ele ama incensos de Mirra, Olíbano, Jasmin, Benjoim, Alecrim, Arruda (ervas solares é essencial) ... Além de incenso, ele ama que se queime casca de laranja ou fazer um fervedouro com limão e laranja (ainda não fiz, mas é ótimo pra limpeza energética da casa). Tudo relacionado a laranja ele ama, bolos, a fruta como oferenda, o suco...
Ele gosta também que lhe ofereçam um copo com água na janela em que bate sol, ofertar antes do Sol se pôr. Depois de alguns minutos beba a água para fazer a reversão de oferta (basicamente a energia oferecida volta para você).
Não recomendo oferecer industrializados, na K.O já vi ofertarem refrigerante mas como sigo a vertente natural, acho bom evitar. Escolha alimentos naturais, claro que se estiver comendo uma pizza e quiser ofertar fica a seu critério, mas prefiro evitar.
Recite hinos criados por você mesmo ou os Textos das Pirâmides, os Textos dos Sarcófagos, o Livro dos Mortos, os Hinos do Papiro de Ani e o Templo de Karnak. Você pode encontrar alguns desses textos aqui e aqui No livro Jan Assman, intitulado ''Egyptian Solar Religion in the New Kindgoom'' possui hinos antigos à Rá.
Rituais com Rá, como começar?
Saiba que com Rá, por ser o deus criador, pode ser realizado quaisquer tipos de rituais. Ele sempre vai te deixar a pergunta ''Você precisa ou você deseja?'', então saiba refletir muito bem sobre o que se quer antes de realizar um ritual. Desde prosperidade a relacionamento com os pais ele pode te ajudar.
Recomendo fazer os rituais num dia de domingo para prosperidade, mas pode realizar a qualquer dia já que (quase) todos os dias tem sol. Gosto de trabalhar banimentos a noite e prosperidade de dia.
Dia importante
Quer fazer seu feitiço ou ritual numa data importante? No dia 5 de Agosto é o Festival de Rá na Abertura do Ano, como você pode ver aqui e aqui para todos os festivais dedicados à ele. Também pode ser chamado aos Domingos, dia do Sol nas correspondências Planetárias.
Rá, por ser uma divindade de uma cultura em que a base religiosa era a Heka (magia), é interessante que se tenha conhecimento sobre ervas, poções, feitiços, escalda-pés, banhos magicos. Ele é uma divindade que exige que se tenha os banhos de ervas em dia. Tenha sempre plantas amarelas e elementos dourados, incensos e velas relacionados à Rá para atrair alegria, prosperidade, comunicação, criatividade, jovialidade, força, coragem.. enfim.
Associações e qualidades magicas
- País/Região: Egito e Núbia
- Domínio: Sol, Céu, Terra e Submundo
- Poderes: Equilíbrio (criação e destruição), justiça, proteção, iluminação, prosperidade, vingança, vitalidade, cura, realeza, poder político, força, coragem.
- Símbolos: Olho de Rà, Disco solar.
- Animais: Falcão, Coruja, Abelha, Leão, Gato, Escaravelho, Pássaro Benu, Carneiro, Cobra, Garça, Touro, Fênix.
- Deusas: Bast, Mut, Hathor, Sekhmet, Satet, Tefnut, Ma'at.
- Sincretizado com: Heru, Amon, Wesir, Atum, Khepri, Sobek.
- Dia sagrado: Domingo, 5 de Agosto (Festival .
- Inimigo: A.p.e.p.
- Cores: Dourado, Amarelo, Laranja, Branco.
- Cristais e pedras: Citrino, Âmbar, Pirita, Cornalina, Topázio Dourado, Ouro, Calcita amarela, Heliodoro, Jaspe Amarelo, Olho de Tigre, Olho de Falcão, Ágata Amarela, Topázio Imperial, Calcita Laranja, Danburita Amarela, Rutilo Dourado, Safira Amarela, Zircão Amarelo, Ametista Dourada e Gema de Citrino Fantasma.
- Chakra: Coronário e Plexo Solar.
- Flores: Todas as Brancas, Amarelas e Laranjas.
- Comidas: Pão, Bolos, Tortas, Frutas amarelas e laranjas (laranja, manga, abacaxi, limão, maracujá, pêssego, mamão), Milho, Trigo, Arroz, Aveia, Mel, Rapadura, Açúcar mascavo, Ovos, Mel.
- Bebidas: Água frsca, sucos de frutas amarelas, chás de ervas solares, Café (ele ama café amargo) (aqui pode ser café de açaí também).
- Carta do Tarot: O Sol
- Carta do Oráculo de Ma'at: Ra Horakhty
- Atividades: Ir à praia, Fazer caminhadas ao lar livre, Cuidar de plantas, Cozinhar e Se alimentar bem, Fazer Yoga, Ser grata pela vida, Estudar o que gosta, Dedicar uma planta ou atividade à ele, Fazer pinturas ou bordados...
Utilize a seu favor essa tabela para montar um bom ritual.
Quer um ritual simples, mas poderoso? Vamos lá
Se prepare como de costume, tomando um banho relaxante e um banho de ervas para a finalidade que se deseja, prepare seu altar e coloque uma imagem do deus ou algo que te lembre a divindade. Abra o círculo mágico se preferir, e chame por ele:
''Dua Rá, soberano da vida, da saúde e da força
Todos os corações se abrandam ao contemplá-lo.
Te chamo neste momento para (diga para que chamou ele)...
Peço por favor para que me ajude, serei eternamente grata por
Suas bençãos e maravilhas.''
Apresente suas oferendas segurando com as duas mãos como mostra abaixo, e peça para que desfrute e receba da oferta que foi feita de coração e de bom grado.
Se quiser queimar algumas ervas, faça neste momento e diga para qual finalidade está queimando.
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É isto por hoje.
Até breve.
Maya
Referências:
Rá, Amon e Osíris: Deuses da mitologia egípcia
(11) Teocrasia no Antigo Egito: os Sincretismos em Osir-Hap e Serápis na Religião Faraônica
Ancient Egyptian religion – Wikipédia, a enciclopédia livre
Ra: A História Real — Amr Saleh
Confessium - "O símbolo de Lotus no antigo Egito Na mitologia.
Rá, o Deus Sol do Egito | História Egípcia – Egyptian History
Mitologia e Folclore UN-Textbook: Egito: O Nome Secreto de Rá
Re: Rei Sol dos Deuses Egípcios - ARCE
A adoração de Rá, o deus sol do Egito

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