Oioi, espero que esteja bem. Passei (e ainda estou passando) por um processo árduo de saúde mental e a espiritualidade estava envolvida. Não vou entrar neste assunto, mas foi importante para a criação deste blog, que posterguei e levei meses para escrever. É um assunto bastante delicado, principalmente para mim, mas precisamos dessa conversa. Então pegue seu café, chá ou capuccino e
Let's que bora.
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Antes de tudo, é preciso entender que a psicose não é necessariamente um transtorno isolado. Ela é um conjunto de sintomas que pode aparecer em diferentes condições, como esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão graves e outras condições médicas ou relacionadas ao uso de substâncias. O elemento central é uma alteração importante na relação da pessoa com a realidade.
Entre os sintomas mais conhecidos estão:
• delírios;
• alucinações;
• pensamento desorganizado;
• fala desorganizada;
• comportamento muito desorganizado;
• dificuldade de distinguir acontecimentos internos de acontecimentos externos.
Por exemplo: Uma pessoa pode ouvir uma voz (alucinação auditiva) e acreditar que ela vem de uma entidade espiritual. Essa experiência pode ser tanto psicológica quanto espiritual e a diferença de como as duas são sentidas é fundamental. Uma querida amiga me contou que ouve vozes contando as coisas para ela e depois de alguns dias a coisa acontece ou alguém falece. Isso podemos colocar na caixinha da mediunidade. Comigo, eu só ouço vozes quando estou na fase de mania, mas somente em momentos em que a mania já está mais forte. Normalmente, tenho delírio religioso, mas falarei sobre isso mais pra frente.
Agora, a pessoa ouvir que é o escolhido de deus, que deve matar sua família em troca de algo espiritual, acreditar fielmente que está possuído estando totalmente lúcida, é psicológico. O que diferencia é a intensidade e a frequência. Não entrarei nesse assunto tão profundamente pois não é o objetivo do post nem sou formada em Psicologia ou Psiquiatria, apenas quero trazer uma discussão sobre o assunto com um viés espiritual, porém trarei dados de pesquisa psiquiátrica para elucidar a nossa discussão. Já adianto que muito do que eu disse aqui foi fruto de vivência pessoal e terapêutico, além de conviver com outras pessoas que apresentam quadros de delírio religioso, sendo quase que totalmente uma opinião pessoal.
Ter uma religião, acreditar em deuses, espíritos, ancestrais, magia, oráculos ou experiências que transcende a matéria não significa, por si só, estar vivendo uma psicose. A linha que divide a psicose e as experiências religiosas não é tão bem traçada. Há de se atentar para não se tomar toda experiência não-ordinária como patológica e vice-versa.
'' (...) Apesar de apresentar aspectos desafiadores, que podem ser confundidos com a psicose, sendo capaz de perturbar completamente as atividades cotidianas do sujeito, as emergências espirituais podem carregar efeitos positivos, após a sua integração. No DSM IV introduziu-se a categoria “problema religioso ou espiritual”, após a pressão da “Spiritual Emergence Network”, preocupada com a patologização de intensas crises espirituais (LUKOFF, LU e TURNER, 1998). ''
A experiência religiosa não pode ser reduzido apenas ao conceito de emergência espiritual ou loucura, não reduzindo às teorias psicológicas ou psiquiátricas. Profissionais de saúde mental não consideram as primeiras crises psíquicas graves como o desenvolvimento de uma esquizofrenia e, caso essas crises sejam recebidas de maneira apropriada, podem carregar a possibilidade de crescimento da personalidade do indivíduo e, inclusive, da cultura em que ele está.
Em um artigo que li para escrever este blog, traz dados importantes e relevantes para a nossa discussão. Sobre delírios religiosos e suas frequências, em áreas menos religiosas do mundo, só 7% de 324 pacientes japoneses internados tiveram delírios de perseguição e religiosos de culpa, sendo essa taxa semelhante a de um estudo nacional de pacientes hospitalizados com esquizofrenia no Japão, cuja prevalência de delírios religiosos foi de 11% entre 429 pacientes. Comparados a outros delírios, os religiosos parecem ser aceitos com maior convicção que outros delírios.
Os delírios existem em um conjunto contínuo e ininterrupto entre as crenças normais de indivíduos saudáveis e as crenças fantásticas dos pacientes psicóticos, que normalmente são acompanhados por outros sintomas e /ou comportamentos de doença mental e não parecem ter nenhuma função positiva. Uma coisa curiosa deste artigo é que "Pacientes com delírios religiosos pontuaram significativamente mais religiosidade e ortodoxia doutrinal que aqueles sem delírios religiosos. Além disso, durante a hospitalização e tratamento em média de um mês, Siddle et al. (2002b) relataram que a religiosidade de pacientes diminuiu significativamente, embora o declínio tenha sido relativamente pequeno. Esses investigadores reconheceram a dificuldade de distinguir expressões psicóticas de envolvimento religioso de expressões não-psicóticas.
Eu tenho delírio religioso, numa época em que estava em mania e em delírio religioso, orei Ave Maria em espanhol, de tanta ''fé'' que eu tinha e de tanto delírio religioso em que me encontrava. Eu não ouço vozes quando estou em mania, porém o delírio e o toc religioso se destacam. No meu caso, sempre me impede de interagir com outras pessoas por acreditar que vão me evangelizar, nem conversar com a minha mãe é fácil de se fazer por achar que ela vai falar algo religioso. Já percebi que independentemente da religião em que me encontro, tenho o bendito delírio religioso, e o toc também acompanha. Em 2020, tive o pior quadro de delírio religioso, em que eu jurava que estava possuída pelo demônio, sofri muito, não me alimentava bem então meu estômago ficou ruim e gastrite juntamente com a medicação, então eu achava que as dores estomacais era demônios. Foi terrível e só melhorei com medicação correta e terapia.
A religião influencia na frequência e nos sintomas psicóticos e, de certa forma, traz melhoras nos quadros clínicos. Vários estudos sugerem que a atividade religiosa ou a mudança de interesse religioso segue mais que precede o surto psicótico.
Fomos criados, nessa sociedade judaico-cristã, para nos aproximarmos de um deus para que ele cure nossas enfermidades, nossos problemas psicológicos e outras questões. Na magia isso também acontece, porém não da mesma maneira. Na espiritualidade não-cristã, num geral, nos ensina a conviver com as questões de uma maneira mais racional, não espiritualizando tudo o que se sente, e até buscam outros tipos de tratamentos como Reiki, Mesa Radiônica, Johrei, Óleos essenciais, entre tantas outras formas de cura mas com a sabedoria de que nossas enfermidades terão a cura em conjunto com tratamento médico ocidental. Já as judaico-cristãs (e sejamos sinceros, os gratiluz também), acreditam fielmente que apenas com orações ou indo a templos, a doença ou transtorno será curado.
A pessoa religiosa saudável com experiências místicas, por outro lado, terá frequentemente com o passar do tempo um resultado positivo, como maior maturidade e crescimento psicológico ou espiritual. Quando é uma questão espiritual, o indivíduo apresenta muitos sintomas de cansaço constante e com problemas para dormir, mudanças de humor bruscas durante o dia ou a semana, falta de paz com uma sensação contínua de angústia, aperto no peito, muito medo ou ansiedade em lugares tranquilos, problemas com sono, desânimo com a fé podendo até se afastar de suas práticas espirituais e sensibilidade exagerada, como peso nos ombros e cabeça e forte desgaste após contato com outras pessoas. Algumas pessoas, que têm o transtorno bipolar, como eu, apresentam alguns desses sintomas quando estão em delírio religioso. Eu estive em um grupo de bipolares em que um membro acreditava fielmente que era Lúcifer por achar que ambos tinham uma história de vida parecidas. Os delírios religiosos espirituais e patológicos são um pouco parecidos, e o que diferencia, como já cite, é a frequência.
Quando espiritualmente, nenhum tratamento medicinal funciona e o caso não é explicado pela medicina. Diante disso, é importante buscar ajuda espiritual de verdade, porque nesse caso, a medicina não consegue cumprir mais o seu papel, restando procurar ajuda espiritual com pessoas confiáveis.
''Há, então, consenso geral de que critérios específicos existem e podem ajudar a distinguir a pessoa mental mente doente com psicose da pessoa religiosa e devota que tem experiências místicas. A pessoa religiosa tem compreensão na natureza extraordinária dos seus relatos, normalmente faz parte de um grupo de pessoas que compartilha as suas crenças e experiências (culturalmente apropriado), não tem outros sintomas de doença mental que afetem o processo de seus pensamentos, é capaz de manter um trabalho e evitar problemas legais, não causar danos a si mesma e, normalmente, tem resultado positivo com o passar do tempo. Porém, claro que há sempre a possibilidade de que uma pessoa mentalmente doente (até mesmo aquelas com doença psicótica) tenha crenças religiosas e experiências místicas que sejam culturalmente normativas e possam, de fato, ajudar a mais bem lidar com a sua doença mental.'' Não estou dizendo que não é para não buscar a espiritualidade em casos de doenças ou transtornos, só quero mostrar dados de que a religião e as doenças mentais andam lado a lado. Eu mesma já fiz feitiços para melhorar minha condição mental e ajudou bastante, porém, como são transtornos, e transtornos não têm cura, devo fazer regularmente.
As práticas espirituais também me auxiliam e muito no tratamento tanto psiquiátrico quanto em terapia. Faço feitiços de saúde e cura de alguns sintomas recorrentes, vem funcionando porém sempre que o sintoma volta tenho que refazer. Chamo de feitiços de manutenção, e está tudo bem ter que refazer, transtornos não tem cura, alguns sintomas tem padrões de repetição, no meu caso, sempre que a mania vem as tonturas vêm junto e constantemente faço feitiço de banimento ou cura para melhorar e diminuir a frequência delas. Veja, diminuir a frequência, e não curar, já que transtornos não tem cura.
Como vimos, ''já que muitos pacientes com transtornos mentais graves usam a religião para lidar com sua doença, pode ser que intervenções religiosas ou espirituais se mostrem úteis. Há uma preocupação de que essas intervenções possam interferir na recuperação de pessoas com transtorno mental grave ou complicá-la, especialmente se estão presentes alucinações ou delírios religiosos. Embora a pesquisa esteja em fase inicial, os estudos até o momento não indicam que tais abordagens possam piorar ou exacerbar a doença psicótica, especialmente quando aplicadas de maneira sensível.''
A espiritualidade pode atrapalhar quadros clínicos quando a pessoa, que já está num quadro clínico de delírio, acreditar que tudo o que ela tem vai melhorar com práticas somente espirituais e larga totalmente o tratamento médico. Daí aparecem outros tipos de crenças no delírio. É muito difícil falar sobre porque é algo muito amplo, em alguns casos, como o artigo cita, a religião traz uma forma diferente de lidar com a doença, podendo até ser útil, porém, quando esse indivíduo começa a buscar em demasiado a religião, se entrega de corpo e alma, só quer saber das práticas e se isola do mundo... aí é mais um problema sério que precisa de intervenção.
Em estudo com egípcios, a cura espiritual estava definida como “uso excessivo de orações; leitura de versos do Alcorão ou da Bíblia como forma de aconselhamento baseado em relevância religiosa (durante pelo menos uma hora por dia); frequência excessiva em mesquitas ou igrejas para meditações solitárias ou em grupo (mais de cinco vezes por semana); participação de sessões que incluíram feitiçaria ou métodos relacionados (sempre) e de rituais, inclusive exorcismo e procissões Zar (sempre)”. Os resultados indicaram que indivíduos que relataram cura espiritual recaíram com mais frequência (17 de 20) que aqueles que não vivenciaram tal experiência.
Isso só reforça o que eu disse anteriormente.
''Crença e atividade religiosa não-psicótica são também bastante comuns entre pessoas com doença mental grave, e essas crenças frequentemente são usadas para lidar com o intenso estresse psicossocial causado por tal doença. e o envolvimento religioso não-psicótico pode ter impacto positivo no curso da doença e frequência de exacerbações psicóticas, merecendo, assim, apoio e encorajamento dos clínicos. Por outro lado, delírios religiosos podem indicar presságio de pior prognóstico e, por isso, deveriam ser tratados vigorosamente.''
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Ao mesmo tempo, a espiritualidade pode se tornar parte do conteúdo de uma experiência psicótica. Uma pessoa em psicose pode interpretar suas alucinações, pensamentos ou percepções dentro de sua religião e cultura. Pode achar que é Jesus, Lúcifer ou que tem uma legião de demônios dentro de si, como foi o meu caso. Normalmente, pessoas com tendências a psicose têm sintomas recorrentes de toc ou delírio religioso, o que pode ser potencializado por espiritualistas que não tem conhecimento dos transtornos mentais, piorando ainda mais o quadro clínico de psicose. Há também práticas que desencadeiam psicose, como o uso de Ayahuasca e outras drogas com efeito ritualístico, por isso é importante saber se há alguma tendência a psicose antes de se aventurar na medicina alternativa, digamos assim. Acreditar fortemente que há obsessores em casa, que tudo é energia negativa, ou que estão demandando contra você pode sim, de certa forma, virar uma obsessão e, em alguns casos, alimentar delírios persecutórios. É aí que entra a linha entre espiritualidade saudável e psicose se torna mais delicada.
O problema é que alguns caminhos espiritualistas reforçam a ideia de que tudo é espiritual, ignorando completamente a possibilidade de um transtorno psicológico, muitas vezes insistem em tratar tudo espiritualmente e esquecer da parte medicinal tradicional, com terapias e medicamentos psiquiátricos. Isso pode agravar o sofrimento, pois em vez de buscar ajuda médica, a pessoa é levada a acreditar que precisa apenas de rituais, orações ou limpezas energéticas. A espiritualidade, quando saudável, traz sentido, paz e conexão. Já a psicose, quando interpretada apenas pelo viés espiritual, pode se tornar um ciclo de medo, perseguição e isolamento. É por isso que é tão importante reconhecer os limites: nem tudo é espiritual, e nem tudo é psicológico. O equilíbrio está em compreender que a mente e a espiritualidade coexistem, mas que transtornos mentais exigem cuidado profissional. Ignorar isso em nome de uma visão exclusivamente espiritual pode transformar uma busca por transcendência em um mergulho bem doloroso na desorganização da realidade.
Acredito num equilíbrio perfeito entre tratamento medicinal tradicional com práticas espirituais sem que estas interfiram no tratamento da medicina tradicional. Eu por exemplo, tomo medicações todos os dias religiosamente, mas também faço meditações, feitiços, banhos e chás para auxiliar no tratamento. Para que esteja em equilíbrio e ter certeza de que, numa crise de mania em que os pensamentos obsessivos começam a serem criados, não virem uma terceira mente e a energia daquele sintoma crie um ser obsessor criado pela minha própria mente, e atrapalhe e o meu tratamento. ]
Uma ''psicose espiritual'' pode ser usado para descrever os sintomas psicóticos de conteúdo religioso, espiritual, místico ou sobrenatural. Uma pessoa pode acreditar nas seguintes coisas:
→ Deus está enviando mensagens exclusivamente para ela;
→espíritos estão controlando seus pensamentos;
→demônios estão a perseguindo;
→possui uma missão sobrenatural que precisa cumprir imediatamente
→recebeu poderes especiais
→é uma divindade ou uma figura escolhida;
→determinados acontecimentos cotidianos são mensagens secretas dirigidas especificamente a ela;
→outras pessoas estão conspirando contra ela por motivos espirituais;
→uma doença física é necessariamente resultado de uma entidade ou maldição
→precisa abandonar medicamentos porque recebeu uma “ordem espiritual”.
Uma pessoa pode praticar sua religião ou formas magicas e continuar trabalhando, estudando, mantendo relacionamentos e cuidando de si. O problema começa quando a experiência passa a dominar completamente sua vida. Por exemplo:
→ parar de comer porque acredita ter recebido uma ordem espiritual;
→ deixar de dormir para realizar orações, rituais e outras práticas durante vários dias sem descanso;
→ abandonar trabalho ou estudo por uma suposta ordem divina.
→ afastar-se completamente de familiares e se isolar;
→ gastar grandes quantias em supostos tratamentos espirituais;
→ acreditar que precisa realizar determinada ação para impedir uma "catástrofe espiritual''.
O que quero dizer aqui é que comunidades religiosas costumam valorizar experiências, digamos que, extraordinárias.... como visões, revelações, chamados, falar em línguas ou ouvir a espiritualidade falando diretamente com o indivíduo, e isso pode atrasar o reconhecimento de um quatro que já ultrapassou o campo espiritual e se tornou uma emergência de saúde mental. Ao mesmo tempo, profissionais da saúde sem sensibilidade cultural ou religiosa podem sim patologizar experiências espirituais legitimas que não são psicóticas.
A psicose espiritual ocorre quando a busca intensa por práticas religiosas ou espirituais se transforma em obsessão, levando ao surgimento de sintomas psicóticos como delírios, alucinações e perda de contato com a realidade. Esse fenômeno é reconhecido na literatura medicinal como “emergência espiritual”, podendo ser tanto uma crise transformadora quanto um risco para a saúde mental. A emergência espiritual tem por definição um processo transformativo, no qual a consciência de um indivíduo expande para além do nível ordinário de consciência vigil, podendo incluir estados de crise psicológica. (HARRIS, ROCK e CLARK, 2019). A psicose espiritual trata-se de um quadro em que a espiritualidade deixa de ser um recurso de bem estar e passa a alimentar sintomas psicóticos, ruminando obsessivamente tais práticas. As manifestações mais comuns já foram citadas, como acreditar que é Jesus, que é escolhido por Ele, acreditar que é Lucifer, acreditar que está possuída... há várias manifestações. Há o risco aumentado de suicídio, quando a espiritualidade é usada de forma negativa, pode intensificar sentimento de culpa e desesperança. É fortemente recomendado tratar a psicose, tanto comum quanto a espiritual com terapia e medicações psiquiátricas. Quando a psicose espiritual não é causada por problemas psicológicos, é interessante recorrer a sacerdotisas, mães de santo e outros cargos religiosos para auxiliar nessa questão, tratando o espiritual da forma correta, porém, sem alienação. Cuidar do espírito quando a psicose não é psicológica é essencial para reestabelecer o equilíbrio dos corpos sutis.
A espiritualidade pode auxiliar sim no tratamento de sintomas psicóticos, porém de forma sadia, responsável e racional. Revezar como eu faço, tomar medicações e realizar suas práticas espirituais para auxiliar no tratamento é super válido, inclusive recomendo. Não é errado utilizar a magia para isso, se você tem a ferramenta em suas mãos, vá em frente e pratique, não espere chegar num estado crítico para fazer magia para auxiliar no seu tratamento ou, acreditar que praticar magia está atrapalhando.
Falar sobre espiritualidade e transtornos psicológicos é andar numa corda bamba, porque corre o risco de invalidar experiências espirituais legítimas de um lado, ou de romantizar sintomas que podem estar, na verdade, destruindo a vida de alguém, de outro. Não existe uma resposta pronta, fácil e redondinha e eu não vim aqui para dar uma. Vim para mostrar que essas duas dimensões, mente e espírito, não competem entre si, elas convivem, e às vezes se confundem tanto que só o tempo, o acompanhamento profissional e a observação cuidadosa conseguem separar uma coisa da outra.
Aprendi que dá sim para juntar os dois mundos, tomo minhas medicações ( e sem vergonha alguma de expor isso) e também faço meus feitiços, banhos e rituais de cura. Uma coisa não anula a outra, pelo contrário, quando bem equilibradas, elas se sustentam. O perigo mora no extremismo, seja de abandonar o tratamento médico em nome de uma suposta "cura espiritual", seja ele de descartar toda vivência espiritual como sintoma, sem nunca perguntar o que ela significa para quem vive.
Espero que tenham entendido o recado.
É isto por hoje. Até mais,
Maya.
Referências
Understanding Psychosis - National Institute of Mental Health (NIMH)
Instituto Nacional de Saúde Mental
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