Consagrando Cacau, suposta Ix Cacao e Hathor

 Oioi como estão? 

Pra quem me acompanha no instagram viu que consagrei cacau duas vezes e tive experiências bem curiosas.

Hoje vou contar um pouquinho do que aconteceu nas duas cerimônias que fiz e quero deixar um aviso no meio disso tudo, mostrando minha visão sobre consagração de cacau e a consciência da tomada de simbolismos de uma cultura que não é nossa, e retirar o verdadeiro significado e deturpá-lo. Mas não se preocupe com isso, não quero levantar polêmicas. E já aviso que será longo, quero deixar registrado toda a experiência, desde o começo. Sobre essa pequena reflexão sobre quem deve e é indicado ou não a ser sacerdote, colocarei na parte 2. 

Antes de consagrar, pesquisei muito sobre. Pesquisei sobre o significado, como se realiza a cerimônia sozinha (já que não confio ir em lugares que consagram pelos motivos que direi mais tarde), vi vídeos de pessoas nativas do México, povo Maia mesmo falando sobre como é a colheita e a feitura do cacau. Vi também dizerem que não é qualquer pessoa não indígena que se torna um sacerdote/ uma sacerdotisa do Cacau. Tem que ter a vivência indígena, a vivência de plantar, cultivar e colher o cacau. Na verdade, um não indígena nem é recomendado ser sacerdote de cacau exatamente por não ter a vivência de aldeia.

Daí começa a minha negação em ir espaços de consagração de medicina ancestral. Mas cada um faz o que quiser..

Se quiser ir numa aldeia indígena e aprender por anos como fazer a cerimônia, depois vender  a consagração de cacau numa live de instagram/youtube e dizer que o que você faz não é nada indígena e sim algo moderno e deturpa totalmente o significado de uma medicina sagrada, vá em frente. Gente assim consegue muito mais adeptos do que os nativos. Mas fica por aqui a minha militância e vamos para o que interessa. Desculpem por isso, sou aquariana, é impossível não militar hahaha

Já tem um tempo que trabalho a energia dos deuses maias em situações diversas, não direi aqui quais, pois prefiro manter apenas para a terapia, mas já adianto que sobre a situação descobri que, na verdade, são servidores astrais que tenho desde adolescente..

Ok voltando... Há algum tempo queria consagrar a ayahuasca, exatamente pelo motivo que reclamo: ter a experiência de ver para crer e nada mais. Porque é o que me era passado, e depois fui pesquisando mais sobre e descobri que não posso consagrar ayahuasca por motivos de saúde. Ok. Mas ainda ficou a curiosidade de consagrar alguma medicina, eu sentia a necessidade, só não sabia o porquê.

Meses atrás, Kukulkan e Itzmna apareceram pra mim em uma meditação. Sou clariaudiente, então ouvi eles me chamando para meditar e fui. Vi toda a cerimônia, me vi fazendo oferenda de sangue à Kukulkán e ele recebendo y otras cositas más. Foi daí que tive uma pequena confirmação, mas ainda tinha dúvidas e fiquei com receio já que são divindades de um panteão mais ''agressivo'', são diferentes do panteão egípcio. Há divindades amedrontadoras e fiquei com um receio...

Algumas semanas atrás fiz algumas tiragens de Baralho Cigano com uma amiga e uma dúvida pertinente foi sanada: Tenho alguma ancestralidade Maia, algo como vidas passadas? (Isso porque no meu oráculo já tinha visto que sim, e que fui uma criança indígena do povo maia, mas queria a confirmação por medo de ter manipulado o resultado) Pois bem, ela disse que sim e é por isso que sinto falta de algo nessa vida. 

Pesquisei mais um pouco e vi algumas formas de culto, mas ainda assim fiquei na dúvida... sim eu sou o tipo de pessoa que precisa que desenhem, esfreguem na minha cara pra que eu aprenda e entenda.

Daí que veio ainda mais a vontade de consagrar Cacau, e foi algo assim.. bem impulsivo e eu sabia que tinha algo espiritual. Como disse antes, assisti vídeos de pessoas brancas que consagram, vi vídeos dos nativos, pesquisei de todas as fontes que conseguia.

Comprei meu cacau em pó (que dizem que não tem efeito, mas tive e MUITOS), fiz direitinho com água, cravo e canela (as especiarias como falam), preparei o ambiente e as oferendas.

Separei uma vela Rosa para representar o trabalho do coração, já que é uma medicina que trabalha as emoções, o amor, o acolhimento, a introspecção; uma vela verde para representar Kukulkán e uma vela branca para representar a paz e a harmonia em minha vida. Ofereci maçã e laranja, e um pouco do cacau que tinha separado também.

Depois em minhas pesquisas, descobri que Kukulkán também está associado ao cacau, depois explico o porquê.

Fiz o círculo mágico, acendi os incensos de olíbano e mirra (é recomendado de Copal,mas não tenho no momento) e as velas, e me sentei no meu cantinho de meditação, coloquei algumas músicas de ritual maia que achei no spotify (foi difícil achar porque queria algum som ritualístico tradicional). Fiz a entrega da oferenda como visualizei na meditação e falei algumas palavras de abertura como:

''Gran Corazón del Cielo,
Gran Corazón de la Tierra,
Madre y Padre del Universo,
Hoy honramos el fruto sagrado del cacao,
el alimento que nos conecta contigo,
con nuestros ancestros y con nuestra esencia divina.
Gracias por este don que nos llena de vida y amor.”

Respirei fundo, senti o aroma do cacao e tomei o primeiro gole e de olhos fechados fiquei. Sendo bem sincera, estava com receio de não sentir nada, mas no segundo gole já comecei a sentir vontade de dançar. Ela realmente traz uma energia de movimentação, então queria me levantar e dançar mas ainda não era a hora. Fui tomando os goles, ouvindo a música e fui dançar. Sabia que essa dança não era uma dança qualquer, era mais como uma preparação para os próximos rituais com Kukulkán, principalmente as de oferenda e rituais maiores. Eu dancei em círculos, uma dança que parecia de algum ritual indígena mesmo porque eu segurava (só fazia o gesto de segurar) um chocalho e balançava ele, e dançava no ritmo da música, rodei, fui ao chão. Uma experiência incrível e de aprendizado. Mas tem mais..

A moça do vídeo que vi antes sugeriu pra colocar uma intenção sempre que for consagrar, e aquele dia intencionei o amor próprio, então tudo o que vi foi relacionado a isso. Não lembro a ordem correta, mas pelo ritmo da música, antes de me levantar, eu vi pessoas indígenas do povo maia dançando, batendo os pés no ritmo da música que eu ouvia (que é de danças maias e de ritualísticas), depois disso me vi num terreiro (terreiro de terra, roça, aldeia) e tinha uma mulher.

 Ela pegou um espelho, colocou na minha frente e passou uma tintura vermelha no meu rosto, simbolizando a beleza, depois vi Kukulkán (sabia que era ele pelo calcanhar, era cheio de penas verdes) mas não lembro bem o que ele fez, só sei que ele pegou algo. Vi Ix Cacao, ela estava com um cabelo enorme até o chão algo como essa imagem aqui:



supostamente IxCacao*


Por que supostamente? Fui pesquisar esta foto e encontrei um comentário no Reddit (lá não é tão confiável assim, mas achei curioso) e uma pessoa perguntou se a deusa realmente existe.. vou deixar o print aqui da conversa e mais embaixo deixo o meu parecer, baseado no vídeo em que vi do Xamã falando sobre ela.



Mas fica uma dúvida... eu nunca na vida tinha visto essa representação pela internet, então como e porquê eu vi essa mulher, dessa mesma forma sendo que Ix Cacao não existe e é uma criação atraente para os espiritualistas new age? Fica aí o questionamento...
atualizações: provavelmente vi Ix Chel, já que como explico mais embaixo, a divindade associada ao cacau seria Xochiquetzal ou Ix Chel. Acredito mais que seja Ix Chel do que Ix Cacao, já que, realmente, não há uma evidência acadêmica que Ix Cacao exista. 

Voltando novamente...

Vi Ix Cacao com um cocar enorme indo até o chão, vi também uma anciã indígena cuidando do meu cabelo, passando um óleo capilar,como se estivesse me ensinando a me cuidar mais, a cultivar novamente e ainda mais o amor próprio. Como pedi sinais claros de como poderia cultivar esse amor próprio, foram essas visões que tive.


Óleo de Beleza com Hathor

Em um certo momento, estava no Egito em minha posição de sacerdotisa (pra quem não sabe, sou sacerdotisa de Rá.. um dia conto como foi que aconteceu porque foi literalmente um evento), num quarto (provavelmente o meu mesmo, porque sempre que tenho essas meditações estou neste quarto) e vi Hathor. Sentei na frente de uma penteadeira e ela cuidando de mim, me arrumando, colocando brincos, colares, pulseiras e não sei se era uma coroa ou uma fita no meu cabelo, mas representava aquela posição social de sacerdotisa. Depois fomos para a varanda do quarto e ela me ensinou a fazer um óleo da beleza. Algum dia ensino este óleo aqui porque tem ingredientes que ainda não sei quais foram, só sei que tinha hibisco, cravo, canela, essas folhas que ainda não identifiquei.

 Ela pegou um jarro marrom, colocou o líquido dali dentro do frasco em que eu estava colocando os ingredientes dos óleos, peguei o recipiente e fiz o gesto de entrega de oferenda a ela, e ela toda feliz colocou a mão no peito em forma de agradecimento. Fui dormir e depois se passaram 21 dias, o óleo estava pronto. Passei no corpo e ficou entendido que ele é pra ser usado para sair e me divertir. Vi também esses lugares que eu estava saindo, me vi com algumas mulheres numa cadeira na praia e simbolizava as novas amizades que eu teria...

Logo após isso, a visão cortou de novo para a minha vida na aldeia. Aqui fica mais pesado...


Vida passadas

Eu me vi criança indo para uma lagoa dentro de uma caverna, estava com um colar dourado provavelmente um ouro, e estava com os ''piercings'' daquele povo no nariz... não sei se uma criança civil usava aquilo normalmente, ou se eram somente crianças da elite que usavam**.

Entrei na lagoa e morri afogada, fui para o inferno dos maias e vi o deus Ah Puch, a divindade governava o submundo e era responsável por queimar os mortos. 

Ele também age de maneira positiva quando regenera a vegetação da terra, age no nosso renascimento e nesse contexto, entendi que era realmente um renascimento para outra vida, uma reencarnação. 

Passei por esse submundo que era horripilante, vi esse deus e me vi nascer nesse mundo que estou. Literalmente me vi nascer no hospital, chorando, e depois teve uma ''recapitulação'' de tudo o que vivi até chegar o momento atual da consagração. 

Assim que terminei toda a experiência, finalizei com a seguinte oração 

“A los guardianes del Este,

del Oeste, del Norte y del Sur,

gracias por su presencia y guía.

Que el espíritu del cacao y de Kukulkán me llene de sabiduría,

amor y conexión con todo lo sagrado.” 

Apaguei as velas, com um sopro mesmo (nesta ocasião fui instruída a apagar com o sopro) e tirei um momento de reflexão. Comi as oferendas e fui conversar com minha mãe. Aconteceu um momento muito atípico mais cedo e fui conversar com ela sobre, e fiquei muito emotiva.. mas de um jeito que eu não me reconheci. Então com certeza o efeito do Cacau estava ali ainda.

Gente... vocês não estão entendendo..  todas essas visões ocorram em menos de 10 minutos. Foi MUITA COISA pra assimilar. 

Foi uma experiência incrível.



* Pesquisei bastante e encontrei a única referência ao cacau e uma deusa: Xochiquetzal. Fiz várias referências, busquei no google scholar e nada.. então recorri ao chatgpt e pedi referencias das informações e aqui está: A deusa associada ao cacau é Xochiquetzal. Ela  tem uma associação mais direta com as flores e a juventude, Ix Chel também é associada à feminilidade madura e à sabedoria ancestral, tendo uma conexão com a força criativa e curativa. Ambas compartilham aspectos de fertilidade e da criação de vida, ligando-as ao poder feminino e à natureza. Então, na cosmovisão maia, a deusa do cacau seria Ix Chel ou Kukulkán. Sobre ele falarei em outro post, mas rapidamente: Kukulkán também tem a ver com a fertilidade e a renovação, já que o cacau era visto como um símbolo de vida e prosperidade, tal como o próprio Kukulkán.

+ duas referências: Is Xochiquetzal technically the Mayan Goddess I? : r/mythology 

Ixchel – Wikipédia, a enciclopédia livre

**o piercing no nariz era central para os ritos de acesso à nobreza e os de entronização, a partir dos quais os participantes podiam usar argolas no nariz como marcadores sociais

Então sim, provavelmente eu era uma criança da elite mas pela minha pesquisa, somente eram usadas em rituais de passagem de adolescência para adulta.. minha intuição me diz que a criança pegou esse ''piercing'' e colocou para imitar a mãe, pai ou alguém da família e morreu com ele.







já que ele trouxe as sementes de cacau do paraíso para a Terra, portanto era visto como um presente divino. A planta era considerada sagrada para os maias, estando presente em diversos rituais e sendo por vezes usada como moeda, também usado em rituais de passagem.seu consumo atravessava diferentes classes sociais, como também ocorria em mais contextos do qu

a bebida preparada com ele, chamada “chocolhaa”, era altamente reverenciada

Diferente do chocolate doce e cremoso que conhecemos hoje, a bebida maia era amarga e espumosa, feita a partir de grãos de cacau torrados e moídos, misturados com água, pimenta, baunilha e outros condimentos. 

Esta bebida não era consumida por todos, mas reservada para a elite da sociedade, incluindo nobres, sacerdotes e guerreiros. O “chocolhaa” era servido em cerimônias religiosas e festivais, sendo considerado um elixir divino que proporcionava força e vitalidade.

El uso ritual más antiguo conocido del cacao data de hace más de 4000 años. Es considerado un pilar y símbolo sagrado tanto por las culturas amazónicas como mesoamericanas al ser venerado en ceremonias y jugar un papel esencial en muchas de estas cosmogonías indígenas.


o cacau tinha um papel central nos rituais religiosos dos Maias. Eles acreditavam que o cacau era um presente dos deuses e, como tal, ofereciam-no em várias formas durante cerimônias sagradas. 

As bebidas de cacau eram preparadas e consumidas em honra aos deuses, enquanto grãos de cacau eram frequentemente oferecidos como sacrifícios durante rituais importantes, como celebrações de colheitas ou festivais religiosos


Um dos mitos da criação Maia:

A principal divindade Maya, chamada Coração do Céu, depois de ter criado o mundo, as árvores, as gramas, todas as criaturas do mar, os pássaros e os animais da terra, restou com algo importante faltando fazer, que era criar a humanidade. Coração do Céu fez, então, várias tentativas usando materiais comuns, como lama, madeira e, finalmente, pedra; entretanto, todas as tentativas foram mal sucedidas. Eventualmente, usando ingenuidade e criatividade, Coração do Céu formou um ser humano usando materiais diferentes produzidos pela natureza: água, terra, madeira, milho, muitas frutas e cacau. E assim, os humanos passaram a ter o cacau como um dos seus ingredientes essenciais.




Referências:


LADY, K.'AB'AL XOOK E.; CLÁSSICO, MAIA. AMANDA MANKE DO PRADO LIMA.

DIAZ BARRIGA CUEVAS, Alejandro. Ritos de paso de la niñez nahua durante la veintena de Izcalli. Estud. cult. náhuatl,  Ciudad de México ,  v. 46, p. 199-221,  dic.  2013 .   Disponible en <http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0071-16752013000200006&lng=es&nrm=iso>. accedido en  18  dic.  2024.


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